além dos 40

Você está rondando os 40? Sua juventude foi nos anos 80? Casou? Separou? Casou de novo? Paga ou recebe pensão? Seus heróis morreram de overdose? Encontra-se na twilight zone (juventude passando e velhice chegando)?

além dos 40

Você está rondando os 40? Sua juventude foi nos anos 80? Casou? Separou? Casou de novo? Paga ou recebe pensão? Seus heróis morreram de overdose? Encontra-se na twilight zone (juventude passando e velhice chegando)?
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Terra Blog

Categoria: recordar é viver

29.06.08

Pra frente Brasil!

categorias: recordar é viver

Hoje fazem 50 anos que o Brasil ganhou sua primeira Copa do Mundo na ´Suécia, com Pelé aos 17 anos já fazendo bonito.

Confesso que não gosto de futebol. Não torço para nenhum time, não sei quando é a final de um campeonato, aliás, nem sei quando tem campeonato...

Nomes de jogadores, só conheço aqueles que não saem da mídia por conta de fofocas e escândalos, e não por seus talentos futebolísticos.

Mas gosto de assistir Copa do Mundo, ou, pelo menos, gostava. Como todo brasileiro, mesmo aquele que não curte futebol, conheço o be-a-bá das regras do jogo. Sei o que é um impedimento, sei quando é penalty ou uma simples falta. Sei o que é escanteio e tiro de meta. Até que não estou tão ruim né?

Como eu ainda não existia nesse plano astral em 1958, só sei da Copa desse ano pelas lembranças dos meus pais  e avós.

A foto acima é da Copa de 70 no México. A primeira Copa da qual eu tenho consciência; a primeira que foi televisionada e a primeira que eu acompanhei pela TV Admiral preto e branco, modelo caixotão que tínhamos na sala. Foi também disparado a melhor Copa do Mundo de todas! Pelo menos para mim.

Lembro dos comentários de que a seleção vinha de uma péssima campanha na Copa anterior, na Inglaterra. Que a seleção então bi-campeã tinha dado o maior vexame. Que por pouco nem se classificaram para a Copa de 70. Enfim, estavam completamente desmoralizados.

Aí veio o primeiro jogo, Brasil x Tchecoslováquia. A seleção já começou tomando um gol. Mas virou o jogo lindamente e ganhou de goleada.

Depois vieram os outros adversários. A temida Inglaterra, o Uruguai e sua maldição que se perpetuava desde a fatídica Copa de 50, onde o Brasil perdeu a final em pleno Maracanã, dentre outros que agora não me lembro.

E a seleção ganhando de todos. Mesmo assim existia um clima de ceticismo entre os mais velhos, de que o Brasil iria perder feio.

Finalmente chegou o dia da final. Minha avó entrou no clima e comprou para nós fitas verde e amarelas e bandeirinhas do Brasil.

Meu avô, ainda incrédulo, resmungava: "Pra que tudo isso? Depois as crianças vão ficar tristes e decepcionadas!"

Mas foi um jogo lindo contra a Italia! Ganhamos no peito e na raça, limpamente!

 Para se redimir, meu avô tomou um porre...

E nós saímos para as ruas com nossas fitinhas e bandeiras do Brasil, felizes e orgulhosos!

Mesmo sabendo que a vitória brasileira foi usada como ópio pela ditadura militar na época e pelo presidente Médici que se locupletou e conseguiu abafar o AI5, a censura, as prisões dos "subversivos" dizendo que "ninguém segura esse país". Mesmo com tudo isso a Copa de 70 foi um alento para todos nós. E ficará na minha memória para sempre.

O resto da história todo mundo já sabe ou ouviu falar. A seleção amargou um longo jejum até conseguir ser tetra em 94, depois de ganhar nos penalties contra a (de novo) seleção italiana.

Não me levem a mal, mas para mim vitória nos penalties não tem sabor de vitória. É quase como decidir no par ou impar, no cara ou coroa.

Em 2002 conseguimos ser penta-campeões, aí sim teve sabor de vitória novamente.

A última Copa foi um festival de estrelas preocupadas apenas em não machucar as canelas para não perderem seus contratos milionários em clubes europeus. Vestir a camisa? Nem pensar!

Para quem se lembra, aí vai um trecho do hino da seleção de 70:

Noventa milhões em ação

Pra frente Brasil

Do meu coração

Como disse Carlos Drumond de Andrade: "Oh, Copa do Mundo tão linda e limpamente ganha, que até pareces sonho, mas és realidade de se pegar e beijar!"

 

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 10:09:51

19.06.08

Radio Cidade

categorias: recordar é viver

Quando eu era criança e adolescente, no tempo em que os bichos falavam, as emissoras de rádio FM tinham como público-alvo passageiros de elevadores e pacientes na sala de espera de consultórios médicos e dentários. Isto é, só tocavam aquelas músicas ambientes chatinhas e monótonas.

No Rio de Janeiro, o público jovem se contentava com a Radio Mundial AM, que era a melhor de todas, com o lendário locutor Big Boy, falecido precocemente aos 30 e poucos anos, que bombava com seu programa Cavern Club.

Até que no final dos anos 70, mais precisamente em 1977, surgiu a Radio Cidade FM. Uma rádio voltada para o público jovem com uma linguagem inovadora, onde se tocava o melhor do pop e da disco music.

Eu me lembro que em frente ao meu colégio tinha um outdoor com a propaganda na nova rádio. Era uma garota de biquini, com um copo de drink na mão daqueles coloridos e com guarda-chuva e os dizeres: "Tome Radio Cidade."

E a galera tomou mesmo! Os locutores eram descontraídos, muito diferente da sisudez dos de outras rádios, onde pareciam que estavam lendo bula de remédio.

Em datas comemorativas como Natal, Ano Novo e Carnaval, os locutores se reuniam e gravavam jingles alusivos à ocasião, composto e interpretado por eles mesmos.

A Radio Cidade fez escola e o FM nunca mais foi o mesmo. Certas frases são lembradas até hoje, como uma do Fernando Mansur: "Conte-me tudo, não me esconda nada!"

Em tempos de festinhas de garagem e reuniões dançantes em casa de amigos, a Radio Cidade era trilha sonora obrigatória, e seu programa Cidade Disco Night fazia a seleção das músicas, poupando o anfitrião de ficar escolhendo e selecionando discos.

Também foi trilha sonora para namorar no carro, para se ouvir antes de ir para a balada.

Enfim, sonorizou toda uma geração, hoje com mais de 40 anos.

A Radio Cidade faleceu em 2006, depois de passar por uma má fase e perder sua identidade.

Mas para a galera carioca quarentona, ficará para sempre na memória, como a vinheta inspirada na música September do Earth, Wind and Fire:

CIDADE Ô, Ô, ÔÔÔIII!!!!!!!!

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 08:56:28

20.01.08

Biscoito Globo

categorias: recordar é viver

Velho conhecido dos frequentadores das praias cariocas, o biscoito Globo tem sabor de infância para mim.

Praia sem biscoito Globo e mate geladinho é como macarrão sem queijo.

Eu prefiro o de polvilho doce, e confesso que quando era criança mergulhava o biscoito na água salgada e comia. Ficava uma delícia!

Os vendedores vinham gritando de longe: "Olha o biscoito Grobooo!!!"

Além do grande saco com pacotes de biscoito, vinham equilibrando dois pequenos barris, um com mate e outro com limonada.A maioria das pessoas pediam um meio-a-meio: metade mate, metade limonada. Bebiam a metade e pediam uma  "choradinha", que nunca era negada.

Depois que lançaram o mate Leão em copos lacrados, os barris sumiram de circulação. O que foi uma pena, pois mate em copo lacrado não tem a mesma graça, e nem dava para pedir uma "choradinha". Mas agora eles voltaram, para alegria de todos. Só espero que a ANVISA não resolva implicar e dizer que é anti-higiênico e coisa e tal.

Eu sou a prova viva de que mate e limonada em barril não prejudica a saúde. Eu e mais milhares de cariocas que desde a mais tenra infância se encharcaram dessas bebidas geladinhas e estão muito bem obrigado.

Mas o biscoito Globo, ou melhor, o biscoito Grobo continua firme e forte! Genéricos sempre existiram, mas nunca terão o mesmo sabor, nem a mesma textura crocante.

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 16:11:12

28.11.07

Doutor Smith

Quem da minha geração não se lembra de Perdidos no Espaço? Talvez muita gente já tenha se esquecido de outros personagens, como o professor e chefe do clã Robinson, ou o major West.
Talvez não se lembrem dos irmãos Will, Penny e Judy (a loirinha que o major queria comer, mas nunca rolava).
Mas com certeza todo mundo se lembra do Doutor Smith.
Era para ele ser o vilão da história, mas era tão comédia que fazia mais sucesso do que os "bonzinhos".
Até onde eu me lembro, ele foi a primeira tia dos seriados de televisão. Hoje em dia, existem várias tias assumidas, mais para provar que os velhos gays também tem seu lugar ao sol.
Mas naquela época, as crianças gostavam dele não por ele ser um velho gay. Aliás esse era um questionamento que nem passava pelas nossas cabeças.
A gente gostava dele pela sua personalidade fraca, covarde, egoista e politicamente incorretíssima! Esse era o segredo do sucesso do Doutor Smith entre as crianças. Mostrar os defeitos do ser humano de forma escrachada e abertamente, ao invés daquela chatice de heróis certinhos, bonzinhos e perfeitinhos.
Criança não é boba não...
E por falar em tias, que tal Batman e Robin???

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 16:55:07

20.11.07

Lendas urbanas, boatos e fofocas

categorias: recordar é viver

Todo mundo conhece a lenda do saci-pererê e da mula sem cabeça (tem até gente que jura que viu).

Com lendas urbanas não é diferente. Vai passando de boca em boca, sempre acrescentando um detalhe ou outro, e a gente até acredita, ou quase acredita. Como a loura do banheiro.

Com fofocas é a mesma coisa. Começa com um leve boato de alguém que escutou da cunhada da prima do amigo da vizinha. Daqui a pouco, toma proporções monumentais.

Estava me lembrando de alguns desses causos que fizeram grande estardalhaço na época e se tornaram verdadeiras lendas urbanas.

Como esse blog que vos fala é escrito por uma pessoa que já ultrapassou a fronteira dos 40, essas histórias devem estar no inconsciente coletivo dos meus contemporâneos.

Para quem tem menos de 40, será uma aula de antropologia muito interessante.

O homem da Coca-Cola 

Há muitos anos atrás surgiu um boato de que um funcionário da Coca-Cola havia desaparecido dentro de um tonel de xarope. Como o corpo nunca foi encontrado, dizia-se que o xarope corroeu o corpo e a empresa não fez nada quanto a isso, continuando a comercializar o produto assim mesmo.

Teve gente dizendo que encontrou fragmentos de osso dentro da garrafa.

A maioria simplesmente deixou de consumir Coca-Cola e passou a beber Guaraná.

Nada foi provado, mas virou uma lenda urbana. A Coca-Cola deve ter tomado o maior prejú por muito tempo. Pelo menos no Brasil.

 

Sérgio Cardoso

Eu era criança quando o renomado ator de teatro e televisão Sérgio Cardoso morreu repentinamente no meio de uma novela na qual ele era o protagonista, causando grande comoção.

Até aí, nada demais. O problema é que poucos dias depois da sua morte surgiu o boato de que ele tinha sido enterrado vivo.

A história era a seguinte: ele sofria de catalepsia, mas somente uma pessoa de suas relações sabia disso. Essa pessoa estava fora quando ele morreu e foi enterrado. Ao retornar, revelou o que sabia. O corpo foi exumado e dentro do caixão encontraram marcas de arranhões na tampa e o corpo tinha mudado de posição.

O caso foi abafado e negado pelos parentes. Mas como dizem que todo boato tem um fundo de verdade...

Só sei que tive vários pesadelos por conta dessa história e rezo até hoje para que não tenha sido verdade.

 

Mário Gomes

Reza a lenda que em meados dos anos 70, o ator Mário Gomes deu entrada no hospital para retirar uma cenoura introduzida em orifício impróprio para receber a leguminosa.

Na época ele era o galã da novela Duas Vidas e estava no auge da carreira.

O boato se transformou em fofoca e rendeu por meses a fio, cada vez aparecendo uma nova "versão dos fatos".

Teve gente jurando que viu a radiografia da tal cenoura; gente afirmando que tinha um conhecido, um parente, um vizinho que dava plantão no hospital na hora em que ele deu entrada.

A fofoca quase acabou com a carreira dele, que teve que ficar sumido até a poeira baixar, o que demorou muito tempo. Talvez porque fosse época da ditadura militar e os jornais e revistas não tinham muito sobre o que falar, então aproveitaram a deixa e caíram de pau com vontade.

Novamente nada foi provado.

 

Da lata

Em meados dos anos 80, um navio cargueiro vindo do Panamá trazia como carga inúmeras latas contendo maconha. Antes de aportar no Rio de Janeiro houve uma denúncia, e eles resolveram desovar a carga na baía de Guanabara. As latas ficaram boiando à deriva, fazendo a alegria de muito doidão.

Creio que a história do navio foi mesmo verdade, mas o que transformou o fato em lenda urbana foi a enorme quantidade de pessoas que juravam ter fumado o "da lata". Se todas elas falaram a verdade, a baía de Guanabara ficou pequena para tanta lata.

Desde então, a expressão "da lata" é usada para designar coisas de boa qualidade, pois segundo a lenda urbana, o bagulho da tal lata era "du bão"...

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 11:27:05