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Como eu já disse aqui, estou sem atualizar o blog por estar passando por uma fase de completa reestruturação da minha vida. Recomeçando do zero mesmo, resetando tudo.
Vida nova, casa nova, lugar novo.
Todo o processo é muito doloroso, mas nada se compara à dor que eu sinto em ter que me desfazer das minhas duas filhinhas peludas. As minhas boxers tão lindas, tão carinhosas e que eu amo tanto...
Infelizmente não posso leva-las para onde eu estou indo. Duas cachorras acostumadas a viver soltas correndo pelo quintal não sobreviveriam em um apartamento pequeno, sabe Deus aonde, porque nem eu mesma sei ainda.
A dor que eu estou sentindo é maior do que quando eu perdi meu poodle, Ringo. Pelo menos eu tive o consolo de que ele parou de sofrer, descansou e foi para o céu dos cachorros ficar junto de Deus.
A incerteza quanto ao destino delas está me consumindo. Principalmente porque eu ainda não consegui ninguém para ficar com elas. E queria ter a certeza de que a pessoa que fosse ficar tivesse muito amor para dar a elas.
Existem abrigos para animais, mas só quem conhece sabe a vida que esses bichinhos levam lá. Por maior boa vontade das pessoas, não se pode dar a todos a atenção, o carinho e espaço necessário para todos. Elas morreriam de nostalgia.
Peço a Deus todos os dias que coloque essa pessoa no meu caminho, para pelo menos eu ter o consolo de que as duas terão o carinho e a atenção que sempre tiveram conosco.
Estou muito, muito triste...
Esse blog está temporariamente sem atualizações por pura e simples falta de assunto.
Ando numa fase meio punk...
Quando a gente começa a ter muitas saudades do passado, é sinal que o presente não anda lá essas coisas.
Não que seja ruim lembrar o passado. Mas ficar desejando que o tempo volte atrás já é uma coisa meio patológica.
Sei que não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Essa fase está demorando um pouco demais para gosto meu. Mas vai passar. Assim como passaram as coisas boas também.
Só espero estar viva para ver...
Jingle bell, jingle bell! Dezembro chegou e com ele mais um Natal.
Na TV e nas ruas já ouvimos desde o final de Outubro aquelas musiquinhas insuportáveis, e promoções imperdíveis de presentes.
Papais Noel com a tradicional roupa vermelha, e a gente aqui do lado de baixo do Equador suando com um calor senegalesco.
Lembro dos Natais da minha infância. Eram bons, fartos, com a família toda reunida. Eu e meu irmão tínhamos uma árvore de Natal só nossa. Pequenina, que a gente montava ao lado da árvore grande que era a "árvore da casa".
Meu pai nos dava um dinheirinho e com ele a gente comprava presentes para toda a família. Lembrancinhas, na verdade, mas ninguém ficava de fora. Até os pastores alemão ganhavam cada um seu pacote de biscoitos caninos. A gente colocava os presentes debaixo da arvorezinha e eu escrevia um "discurso" para ser lido antes da distribuição.
Minha avó ficava inchada de orgulho dos netos prodígio!
A comilança começava a ser preparada de véspera. Como toda família mineira tradicional, uma mesa farta é mais do que obrigação; é devoção.
As rabanadas começavam a ser feitas na manhã do dia 24. E eu começava a come-las enquanto fingia que estava ajudando. O pernil já estava em vinha d'alhos. O peru já no forno. Em toda a casa sentia-se um cheirinho de coisas boas. Para mim, ficou sendo o cheiro do Natal.
Hoje eu não consigo reproduzir, nem longinquamente, os Natais passados. A família ficou pequena; alguns morreram, outros desertaram.
O dinheiro também ficou curto. Não que fosse muito no passado, mas com pouco dava para fazer mais do que hoje. O espírito natalino escafedeu-se.
Como no Conto de Natal de Dickens, eu tenho o fantasma dos Natais passados, que sempre vem me assombrar nessa época do ano. Tenho o fantasma do Natal presente, pálido, estressado e desanimado. E morro de medo da visita do fantasma dos Natais futuros.
Esse assunto já foi trauma na minha infância. Hoje não passa de um pequeno incômodo.
Desde pequena, sempre tive "pé de caipira". Adorava ficar descalça ou com um chinelo Havaiana daquela época em que Havaiana era calçado de pobre, antes da repaginada atual.
Minha avó vivia me repreendendo, dizendo que desse jeito meus pés ficariam largos e feios. E eu, nem aí...
E meus pés foram crescendo livres e soltos. Aos catorze anos já calçava 39.
Minha avó (mais uma vez...) dizendo: "se crescerem mais você vai ter que fazer sapatos sob medida". E era verdade. Não existiam sapatos femininos maiores do que o numero 39...
Fiquei traumatizada. Rezava todo dia pedindo para meus pés pararem de crascer. E realmente pararam no 39.
Mesmo não precisando fazer sapatos sob medida, encontrar sapatos dessa numeração é com encontrar agulha num palheiro.
Um vendedor me explicou certa vez que, como não existem muitas mulheres que calçam esse número, as lojas só encomendam 1 ou dois pares (me senti um ET de pés grandes!).
Pior é quando eu via um sapato que eu gostava e na loja me diziam que desse modelo só fabricavam até o número 37. (novamente um ET com pés inconvenientes para calçar aquela belezura...)
Pior ainda era quando a forma era pequena e o 39 não cabia.
"Tem 40?" Eu perguntava. Lógico que não tinha, me respondiam com cara de espanto. (ET phone home...).
De tão envergonhada, eu nem experimentava mais os sapatos. Dizia que não eram para mim e só de sacanagem pedia para embrulhar para presente. Fiz isso várias vezes.
Também já levei sapatos número 38 achando que não teria problema e meus pés sofreram torturas inimagináveis. Pior do que sapato apertado, só dor de dente.
Tudo bem que eu não sou baixinha. Tenho 1m70cm de altura. Se eu calçasse 35 ia viver caindo. Mas não dava para calçar pelo menos um 38?
Porém, hoje em dia a média de altura das meninas subiu. Mulheres mais altas tem pés maiores. Então é bem mais fácil achar sapatos com numeração maior, certo? ERRADO!
Continua a mesma dificuldade! Em algumas poucas lojas com visão mais globalizada, a gente encontra o número 40. Mas são poucas.
Em São Paulo, que é quase primeiro mundo eu sei que é mais fácil a vida de um pé de anjo. Mas no resto do país...
Tenho verdadeiro pavor de sapatos de bico fino, tão em moda atualmente. Meus pés ficam parecendo dois peixes-espada. Não vejo a hora dessa moda passar.
Qual será o número dos sapatos da Gisele Bündchen?