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Escrevo para comunicar que minhas filhinhas peludas já estão em seu novo lar.
A saudade é enorme, o coração aperta, os olhos não ficam secos...
Mas acredito que elas terão amor e atenção com as pessoas que a adotaram depois de uma criteriosa seleção que eu fiz. Confiei no meu instinto e acho que fiz a coisa certa.
Quero agradecer a todos que passaram por aqui deixando palavras de apoio. Deixo um agradecimento especial à Holly, que fez um post em seu blog com a intenção de me ajudar.
Infelizmente nem todas as pessoas que se dizem protetores de animais tem a mesma sensibilidade.
Um amigo meu, na intenção de me ajudar, pediu-me para eu enviar fotos das meninas para ele divulgar entre pessoas que, segundo ele, me ajudariam a encontrar um novo lar para elas. Pessoas de excelente posição social e financeira, alguns "globais" inclusive.
Uma dessas pessoas me mandou um e-mail solicitando maiores informações. Respondi ao solicitado e deixei meu telefone caso quisesse entrar em contato.
Algum tempo depois me liga uma senhora, se identificando com o mesmo nome de uma ex-global que já conheceu dias melhores, e cuja filha apresenta um programa de gosto duvidoso. Não sei se era um homônimo ou se era realmente a citada senhora ex-global. Por isso peço desculpas desde já se eu estiver levantando falso testemunho.
Pois bem, essa senhora me perguntou o porque de eu estar doando minhas cachorras e se não teria um jeito de mante-las comigo. No estado de espírito em que eu me encontro, caí em prantos no telefone, expliquei minha atual situação de incerteza diante do que o futuro me reserva.
Ela se mostrou muito compreensiva. Disse que não podia ficar com elas pois já tinha três gatos e uma cachorrinha na cobertura em que mora no Leblon (bairro nobre do Rio de Janeiro), fato esse que ela mencionou umas três ou quatro vezes.
Mas disse que me ajudaria a encontrar um novo lar para as meninas entre as pessoas de sua relação.
O fato é que logo depois desse telefonema passou a circular um e-mail dizendo que se eu não encontrasse alguém para adotar as meninas eu as levaria para a SUIPA.
Nunca mencionei, sugeri ou dei a entender em momento algum que as levaria para a SUIPA!
Sei perfeitamente que lá elas morreriam.
Tenho grande admiração pelo trabalho dessa instituição.
Tive o privilégio de conhecer sua presidente, Izabel Cristina, pessoa por quem eu tenho enorme respeito, não só pelo trabalho que realiza, mas também pelo ser humano maravilhoso que é.
Mas tenho consciência da realidade da SUIPA e das condições em que vivem os animais lá deixados. Não por falta de boa vontade das pessoas que lá trabalham.
Um belo dia, recebo um e-mail de uma outra senhora que faz parte do mesmo círculo de globais e endinheirados. A mensagem foi enviada com a opção "responder a todos", e como meu e-mail estava entre eles chegou até mim.
Tal senhora "adoraria" conversar com a dona dos cães (no caso eu) para saber como uma pessoa em "boas condições financeiras" (segundo ela) deixaria os animais na SUIPA.
E se gabando de ter colocado seu cão "no melhor lugar possível" para que fosse adotado "mesmo tendo que pagar por isso".
Se fosse em outras condições, não ligaria a mínima para o que uma ilustre desconhecida pensa ou deixa de pensar a meu respeito.
Mas confesso que fiquei arrasada! Com que direito essa gente faz circular uma mensagem com informações mentirosas?
Com que direito tal senhora que nunca me viu mais gorda, não sabe nada de mim nem da minha vida vem me apontar o dedo para se passar por superior a mim, ao invés de procurar me ajudar e às minhas meninas?
Ela poderia ter dito: "Gostaria de conversar com a dona dos animais para tentar convence-la a não deixa-las na SUIPA."
Ou: "Posso indicar um lugar mais apropriado para os cães ficarem."
Mas não. Preferiu me julgar, rotular e condenar. E com isso deve ter alimentado seu ego e ficado bem na foto perante seus amigos.
Mesmo um abrigo de animais 5 estrelas é, antes de tudo, um abrigo. E eu jamais as deixaria em abrigos.
Elas deveriam passar das minhas mãos para as mãos da pessoa que eu escolhesse e achasse adequada. E foi o que aconteceu. Estão com pessoas não tão endinheiradas nem famosas. Não moram em cobertura no Leblon, mas numa casa ampla de um subúrbio carioca. E têm um grande coração!
Nem preciso dizer que a minha resposta ao famigerado e-mail não prestou...
E que consegui angariar a antipatia de todo o grupinho de falsos protetores.
Já que eles se dizem amantes de animais, espero que quando morrerem sejam cremados, para não dar aos vermes o desprazer de consumir matéria tão indigesta.
Pronto, desabafei!
Como eu já disse aqui, estou sem atualizar o blog por estar passando por uma fase de completa reestruturação da minha vida. Recomeçando do zero mesmo, resetando tudo.
Vida nova, casa nova, lugar novo.
Todo o processo é muito doloroso, mas nada se compara à dor que eu sinto em ter que me desfazer das minhas duas filhinhas peludas. As minhas boxers tão lindas, tão carinhosas e que eu amo tanto...
Infelizmente não posso leva-las para onde eu estou indo. Duas cachorras acostumadas a viver soltas correndo pelo quintal não sobreviveriam em um apartamento pequeno, sabe Deus aonde, porque nem eu mesma sei ainda.
A dor que eu estou sentindo é maior do que quando eu perdi meu poodle, Ringo. Pelo menos eu tive o consolo de que ele parou de sofrer, descansou e foi para o céu dos cachorros ficar junto de Deus.
A incerteza quanto ao destino delas está me consumindo. Principalmente porque eu ainda não consegui ninguém para ficar com elas. E queria ter a certeza de que a pessoa que fosse ficar tivesse muito amor para dar a elas.
Existem abrigos para animais, mas só quem conhece sabe a vida que esses bichinhos levam lá. Por maior boa vontade das pessoas, não se pode dar a todos a atenção, o carinho e espaço necessário para todos. Elas morreriam de nostalgia.
Peço a Deus todos os dias que coloque essa pessoa no meu caminho, para pelo menos eu ter o consolo de que as duas terão o carinho e a atenção que sempre tiveram conosco.
Estou muito, muito triste...