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Segunda feira de carnaval e chove copiosamente no Rio de Janeiro.
O diabinho no meu ouvido sussurra:"Bem feito! Eu não gosto de carnaval mesmo! Desfile de escola de samba é uma fogueira de vaidades, então eles que se f****!"
Mas aí eu penso nas pessoas que economizaram o ano inteiro para os dias de folia... Eu sei que gosto não se discute, se lamenta...mas, oh coitados!
Os carnavais da minha infância foram muito bons. Minha avó, um mês antes começava a confeccionar as fantasias, minha e do meu irmão. Depois de decidido o tema, ela percorria as lojas atrás de fazendas e acessórios e a costureira fazia.
Já me fantasiei de bailarina, de havaiana, de índia e de melindrosa (foi a fantasia que eu mais gostei).
A maioria dos carnavais da minha infância eu passei em Belo Horizonte. A gente ia para as matinês dos clubes, ou ficava brincando nas ruas próximas a casa da minha tia.
Já adolescente, eu gostava de sair na Banda de Ipanema, cuja concentração era pertinho da minha casa.
Eu adorava ver as drag queens, super produzidas, e os homens hetero que se fantasiavam de mulher por pura farra.
Hoje eu acho que os heteros não fazem mais isso, talvez com medo das más línguas. O que é uma pena, pois era muito divertido.
Outra coisa boa da banda de Ipanema é que a gente sempre esbarrava com algum artista. Eu já sambei ao lado da Beth Carvalho, e outros que agora não me lembro.
Legal também era que mesmo eu tendo ido com uma ou duas amigas, no final a gente encontrava vários conhecidos e formávamos um grupo grande.
Aos 18 anos eu tinha um namorado que era aficcionado por carnaval. Por causa dele eu fui a bailes do Fluminense, do América e em vários outros.
Percebi que depois de meia hora de skindô, skindô, me acometia um tédio mortal... Me dei conta de que odeio baile de carnaval!
Descobri que esse negócio de sambar até as 4 da manhã, para às 8 estar na praia se bronzeando e às 5 da tarde já estar pulando em algum bloco é coisa de obsessivo-compulsivo que pensa que o mundo vai acabar na quarta feira de cinzas.
Afff.... tô fora!
Nunca desfilei em escola de samba, e não tenho nehum trauma por conta disso.
Já vieram me falar da "energia do público", da "vibração de desfilar na avenida" e outros que tais, mas nem fiquei tentada.
Se um dia eu der as caras na Sapucaí, só se for em algum camarote, com direito a champagne, canapés e um bom ar condicionado.
Senão, não rola!