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Não sei quem foi que começou com a mania de ensinar às crianças a chamar as pessoas mais velhas de "tia" ou "tio".
No meu tempo de criança, professora era professora, e não tia. Na minha adolescência, mães de amigos meus eram Dona Fulana, e não tia Fulana.
Esclarecendo, sem precisar recorrer ao dicionário: tia é a irmã do seu pai ou da sua mãe.
A mulher do irmão do seu pai ou da sua mãe também é sua tia.
Com alguma condescendência, aquela amiga de infância da sua mãe que te viu nascer, pode ser chamada de tia.
E ponto final!
Professora não é sua tia, a mãe do seu amigo também não é sua tia, muito menos qualquer mulher mais velha do que você é sua tia!
Eu fico bolada quando me chamam de tia sem ser meu sobrinho. Principalmente se for algum galalau de 20 anos que ainda acha que está no jardim da infância!
Ah, qualéééé??? Eu juro que não tem nada a ver com complexo de idade, essas coisas. Mas eu acho que é uma intimidade forçada, me deixa constrangida.
Até aqueles moleques na rua que vem com o papo: "aê, tia, me dá um trocado" eu corrijo. Falo: não sou sua tia.
Não quero que os amigos do meu filho me chamem de "dona", prefiro que me chamem pelo nome. Mas TIA, never!
Tem uma variante que eu abomino mais ainda. É o "minha tia", que geralmente vem acompanhado de um "aê..." ou de um "ô...". Para esses não tem perdão. Armo barraco mesmo: "tia é o cacete!", "vê se eu tenho cara de ser sua tia!"
Sei que vai ter gente achando: "ah, que exagero..., tia é um tratamento carinhoso..."
Carinhoso é o cacete! É falta de educação mesmo! Mas, fazer o que, se até nos programinhas de adolescente da televisão a galera usa esse tratamento?
Vou criar uma comunidade no Orkut chamada Tia é o cacete! Garanto que vai ter muita "tia" aderindo!
Hoje é o aniversário do meu bem mais precioso: meu filho Leonardo está fazendo 15 anos.
Parece que foi ontem que eu e meu barrigão entramos na sala de cirurgia para um parto tranquilo, apesar de ser cesariana.
Confesso que nunca fui muito maternal. Nunca parei para admirar bebês na rua, ao contrário de cachorros que eu sempre paro e fico de "cuti-cuti".
Ser mãe nunca foi prioridade para mim. Eu sempre pensei que se um dia acontecesse, tudo bem, mas se não, tudo bem também.
Até que um dia a decisão saiu das minhas mãos e eu engravidei meio sem querer, por falha minha e da tal da tabelinha (não, a tabelinha não falha, quem falha é a gente que acha que "só dessa vez não vai dar nada").
Foi um baque, mas eu fui em frente. E confesso que adorei ficar grávida. A barriga que cresce da noite para o dia, literalmente, é muito legal. Sentir o bebê mexendo dentro da gente é uma sensação única. Não tem nada a ver com o tal amor maternal que aflora em você. Está mais para um momento Animal Planet. É um sentimento instintivo, mas gratificante saber que você está cumprindo com seu ciclo evolutivo e gerando um novo ser.
Minha gravidez foi tranquila, do ponto de vista fisiológico. Tive pouco enjôo, a pele e os cabelos ficaram lindos, só engordei o necessário e perdi tudo um mês depois do parto sem fazer esforço. Fui engordar anos depois, mas isso é outra história.
No momento em que colocaram meu filho recém nascido em meus braços, esperei o tal amor maternal infinito tomar conta de mim. Não aconteceu. O que eu pensava era: " e agora? o que eu vou fazer com esse serzinho que não está mais dentro de mim?"
Aquele pequeno ser era único e indivisível. Era uma pessoa independente, e eu era responsável por ele.
Descobri que vários mitos não tem fundamento.
Por exemplo, em todos os livros do Doutor Delamare, Doutor Spock, e outros do gênero dizem que a mãe sabe o que o bebê está sentindo pelo choro. Mentira. A gente vai é por eliminação mesmo. Se não quer mamar, não é fome. Se a fralda está limpa, não é xixi nem cocô. Se acabou de acordar, não é sono. Se não está quente, não é febre. E por aí vai.
Outro mito desvendado é o famoso amor maternal que a mãe supostamente tem por seu filho do momento em que ele nasce. Mentira. Pelo menos para mim. O amor vem com a convivência diária, com atos simples como dar de mamar, trocar uma fralda, faze-lo sorrir, consola-lo quando ele chora. Mas é um amor imenso, tão grande e tão intenso que ultrapassa todas as barreiras de qualquer sentimento que você tenha tido até então.
Meu filho muito amado, parabéns pelo seu dia, e que você continue sendo o ser humano maravilhoso que você é!
E não se esqueça de escovar os dentes antes de dormir.
Beijos da sua,
Mãe.

Velho conhecido dos frequentadores das praias cariocas, o biscoito Globo tem sabor de infância para mim.
Praia sem biscoito Globo e mate geladinho é como macarrão sem queijo.
Eu prefiro o de polvilho doce, e confesso que quando era criança mergulhava o biscoito na água salgada e comia. Ficava uma delícia!
Os vendedores vinham gritando de longe: "Olha o biscoito Grobooo!!!"
Além do grande saco com pacotes de biscoito, vinham equilibrando dois pequenos barris, um com mate e outro com limonada.A maioria das pessoas pediam um meio-a-meio: metade mate, metade limonada. Bebiam a metade e pediam uma "choradinha", que nunca era negada.
Depois que lançaram o mate Leão em copos lacrados, os barris sumiram de circulação. O que foi uma pena, pois mate em copo lacrado não tem a mesma graça, e nem dava para pedir uma "choradinha". Mas agora eles voltaram, para alegria de todos. Só espero que a ANVISA não resolva implicar e dizer que é anti-higiênico e coisa e tal.
Eu sou a prova viva de que mate e limonada em barril não prejudica a saúde. Eu e mais milhares de cariocas que desde a mais tenra infância se encharcaram dessas bebidas geladinhas e estão muito bem obrigado.
Mas o biscoito Globo, ou melhor, o biscoito Grobo continua firme e forte! Genéricos sempre existiram, mas nunca terão o mesmo sabor, nem a mesma textura crocante.