além dos 40

Você está rondando os 40? Sua juventude foi nos anos 80? Casou? Separou? Casou de novo? Paga ou recebe pensão? Seus heróis morreram de overdose? Encontra-se na twilight zone (juventude passando e velhice chegando)?

além dos 40

Você está rondando os 40? Sua juventude foi nos anos 80? Casou? Separou? Casou de novo? Paga ou recebe pensão? Seus heróis morreram de overdose? Encontra-se na twilight zone (juventude passando e velhice chegando)?
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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2007

28.11.07

Doutor Smith

Quem da minha geração não se lembra de Perdidos no Espaço? Talvez muita gente já tenha se esquecido de outros personagens, como o professor e chefe do clã Robinson, ou o major West.
Talvez não se lembrem dos irmãos Will, Penny e Judy (a loirinha que o major queria comer, mas nunca rolava).
Mas com certeza todo mundo se lembra do Doutor Smith.
Era para ele ser o vilão da história, mas era tão comédia que fazia mais sucesso do que os "bonzinhos".
Até onde eu me lembro, ele foi a primeira tia dos seriados de televisão. Hoje em dia, existem várias tias assumidas, mais para provar que os velhos gays também tem seu lugar ao sol.
Mas naquela época, as crianças gostavam dele não por ele ser um velho gay. Aliás esse era um questionamento que nem passava pelas nossas cabeças.
A gente gostava dele pela sua personalidade fraca, covarde, egoista e politicamente incorretíssima! Esse era o segredo do sucesso do Doutor Smith entre as crianças. Mostrar os defeitos do ser humano de forma escrachada e abertamente, ao invés daquela chatice de heróis certinhos, bonzinhos e perfeitinhos.
Criança não é boba não...
E por falar em tias, que tal Batman e Robin???

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 16:55:07

20.11.07

Lendas urbanas, boatos e fofocas

categorias: recordar é viver

Todo mundo conhece a lenda do saci-pererê e da mula sem cabeça (tem até gente que jura que viu).

Com lendas urbanas não é diferente. Vai passando de boca em boca, sempre acrescentando um detalhe ou outro, e a gente até acredita, ou quase acredita. Como a loura do banheiro.

Com fofocas é a mesma coisa. Começa com um leve boato de alguém que escutou da cunhada da prima do amigo da vizinha. Daqui a pouco, toma proporções monumentais.

Estava me lembrando de alguns desses causos que fizeram grande estardalhaço na época e se tornaram verdadeiras lendas urbanas.

Como esse blog que vos fala é escrito por uma pessoa que já ultrapassou a fronteira dos 40, essas histórias devem estar no inconsciente coletivo dos meus contemporâneos.

Para quem tem menos de 40, será uma aula de antropologia muito interessante.

O homem da Coca-Cola 

Há muitos anos atrás surgiu um boato de que um funcionário da Coca-Cola havia desaparecido dentro de um tonel de xarope. Como o corpo nunca foi encontrado, dizia-se que o xarope corroeu o corpo e a empresa não fez nada quanto a isso, continuando a comercializar o produto assim mesmo.

Teve gente dizendo que encontrou fragmentos de osso dentro da garrafa.

A maioria simplesmente deixou de consumir Coca-Cola e passou a beber Guaraná.

Nada foi provado, mas virou uma lenda urbana. A Coca-Cola deve ter tomado o maior prejú por muito tempo. Pelo menos no Brasil.

 

Sérgio Cardoso

Eu era criança quando o renomado ator de teatro e televisão Sérgio Cardoso morreu repentinamente no meio de uma novela na qual ele era o protagonista, causando grande comoção.

Até aí, nada demais. O problema é que poucos dias depois da sua morte surgiu o boato de que ele tinha sido enterrado vivo.

A história era a seguinte: ele sofria de catalepsia, mas somente uma pessoa de suas relações sabia disso. Essa pessoa estava fora quando ele morreu e foi enterrado. Ao retornar, revelou o que sabia. O corpo foi exumado e dentro do caixão encontraram marcas de arranhões na tampa e o corpo tinha mudado de posição.

O caso foi abafado e negado pelos parentes. Mas como dizem que todo boato tem um fundo de verdade...

Só sei que tive vários pesadelos por conta dessa história e rezo até hoje para que não tenha sido verdade.

 

Mário Gomes

Reza a lenda que em meados dos anos 70, o ator Mário Gomes deu entrada no hospital para retirar uma cenoura introduzida em orifício impróprio para receber a leguminosa.

Na época ele era o galã da novela Duas Vidas e estava no auge da carreira.

O boato se transformou em fofoca e rendeu por meses a fio, cada vez aparecendo uma nova "versão dos fatos".

Teve gente jurando que viu a radiografia da tal cenoura; gente afirmando que tinha um conhecido, um parente, um vizinho que dava plantão no hospital na hora em que ele deu entrada.

A fofoca quase acabou com a carreira dele, que teve que ficar sumido até a poeira baixar, o que demorou muito tempo. Talvez porque fosse época da ditadura militar e os jornais e revistas não tinham muito sobre o que falar, então aproveitaram a deixa e caíram de pau com vontade.

Novamente nada foi provado.

 

Da lata

Em meados dos anos 80, um navio cargueiro vindo do Panamá trazia como carga inúmeras latas contendo maconha. Antes de aportar no Rio de Janeiro houve uma denúncia, e eles resolveram desovar a carga na baía de Guanabara. As latas ficaram boiando à deriva, fazendo a alegria de muito doidão.

Creio que a história do navio foi mesmo verdade, mas o que transformou o fato em lenda urbana foi a enorme quantidade de pessoas que juravam ter fumado o "da lata". Se todas elas falaram a verdade, a baía de Guanabara ficou pequena para tanta lata.

Desde então, a expressão "da lata" é usada para designar coisas de boa qualidade, pois segundo a lenda urbana, o bagulho da tal lata era "du bão"...

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 11:27:05

15.11.07

Auniversário

categorias: aniversários

Hoje é o aniversário das minhas duas filhinhas peludas. Dois anos de idade, e dando muita alegria para nós.

Depois que o meu poodle Ringo morreu aos 15 anos, jurei que jamais teria outro cachorro.

Já bastava o sofrimento que foi a doença e a morte dele.

Criar cachorro em apartamento não é bom para o bichinho que tem sua liberdade tolhida, e nem para você, que se for um dono consciente se vê obrigado a passear com seu cãozinho chova ou faça sol, estando você cansado ou com preguiça...

Essas eram minhas principais desculpas para não querer outro ser de quatro patas debaixo do mesmo teto que eu.

Mas aí eu me mudei para uma casa e a segunda desculpa não colava mais.

Meu filho vivia me pedindo um cachorrinho...

Foi aí que essas duas destrambelhadas se instalaram na minha casa e no meu coração.

Essa é a Minchia. Foi a primeira a chegar. Minchia é uma interjeição em italiano que significa "Cacete!"

Claro que não fui eu quem a batizou assim, foi o meu marido. Eu estava viajando e quando cheguei, surpresa! Lá estava a cachorrinha que ele e meu filho foram buscar no canil, já batizada.

Essa é a Morgana. O nome completo é Fata Morgana e quem batizou fui eu. Chegou uma semana depois da irmã.

Após eu me refazer da surpresa canina ao chegar de viagem, soube que no canil tinha ficado a última irmãzinha da ninhada.

Meu marido, filosófico, disse: "Espero que a irmãzinha da Minchia encontre um lar com tanto carinho como ela."

Eu, mais prática, rebati: "Por que a gente não traz a irmãzinha para cá também?"

Ele me perguntou se eu estava falando sério. Na verdade nem eu sabia se era sério...

O fato é que no dia seguinte a Morgana se juntava à irmã. E foi a melhor coisa que nós fizemos.

Às vezes bate um certo arrependimento quando as duas se atracam em brigas terríveis e nada pode separa-las. Mas irmãos tem ciúmes assim mesmo. Fazer o que?

Com a gente elas são tão meigas e carinhosas que nem dá para ter arrependimentos.

Nem mesmo quando as duas, de comum acordo, estraçalharam minha blusa novinha que estava secando no varal na calada da noite...

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 17:33:33

12.11.07

Bonecas

categorias: recordar é viver

Acho que todas as meninas da minha geração tiveram a boneca Susi. Naqueles distantes anos 70, a Susi era a versão tupiniquin da Barbie.

Essa última, só quem tinha a sorte de ter alguém da família que viajasse para os Isteites podia ganhar de presente. Ou então pagava-se uma fortuna em alguma importadora da vida e assim faziam inveja às coleguinhas.

Eu tive três Susies. A segunda tinha cabelos prateados e meia de renda preta, igualzinha a essa da foto. Adorava as minhas Susies. O problema é que as roupinhas e demais acessórios dela eram quase tão caros quanto a própria boneca. Como naquela época era dificil achar genéricos made in China, eu tinha mesmo que improvisar. Certa vez a costureira que ia lá em casa fez uma roupinha para a minha Susi, mas ficou tão horrível que eu nem usei.

Eu juro que não é por despeito, mas sempre achei a Susi mais bonita do que a Barbie.

Outra boneca que me marcou foi a Pedrita. Ela vinha com um ossinho na cabeça que diziam que dava sorte. Eu queria tanto que no Natal ganhei duas de uma vez. Uma do meu pai e outra da minha avó. Claro que só fiquei com uma. A outra foi trocada por outra boneca.

Andinha também era o sonho de consumo das meninas dos anos 70. Imagine! Uma boneca que andava! Custava uma fortuna e eu fiquei anos desejando ter uma Andinha. Mas como acontece às vezes com as coisas que você deseja muito, quando finalmente consegue percebe que não era tudo aquilo que você imaginava. A ilusão era melhor do que a realidade.

Ou talvez, por ter demorado tanto eu já não fosse mais tão criança para bricar de boneca...

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 17:12:38

06.11.07

Telefone celular

Telefone celular...uma grande invenção! Nem me lembro como era antes de existir a telefonia celular. Acho que você tinha que procurar um orelhão que funcionasse, se quisesse falar com alguém. E se alguém queria te encontrar, para coisa urgente, o jeito era rezar pra São Longuinho para te achar, ou sair ligando para tudo que era amigo, parente, conhecido a sua procura. Agora é mole, mole... basta ligar para o seu celular e te encontram onde quer que você esteja. .. Oh, dor...
Eu me lembro dos primórdios do celular no Brasil. Era coisa só pra gente fina ($$$). E a gente fina que possuia, fazia questão de ostentar como uma melancia no pescoço. Gente fazendo pose com aquele celular tijolão da Motorola, se achando... e claro, falando alto para todo mundo olhar.
Hoje até minha empregada tem seu celular. Acho muito justo, principalmente em um país onde até pouco tempo atrás o preço de uma linha telefônica era quase o de um carro, e telefone de pobre era o orelhão da esquina, ou no máximo um "telefone de recados" de um vizinho mais afortunado que servia para toda a rua. Para se obter uma linha telefônica a gente ficava anos na fila, naqueles famigerados “planos de expansão”, e pagando, naturalmente, até o dia em que uma alma caridosa resolvesse abrir mais linhas.
Podem falar o que for das privatizações. Mas para mim a privatização da telefonia foi a melhor coisa que aconteceu no país, e conseguiu agradar igualmente ricos e pobres. Só não agradou àqueles que faziam o pé de meia comprando, vendendo e alugando linhas telefônicas, e ao cabide de empregos que eram as teles.
Ah, mas o serviço prestado pelas “teles” da vida é um horror, dirão alguns. É verdade. Mas alguém aí se lembra de como era o serviço antes da privatização? A gente tinha que praticamente implorar para ser atendido. Marcava-se o dia com uma semana de antecedência e lá ficava você preso em casa esperando a boa vontade das criaturas.

Porém, mesmo agora que o celular se tornou um produto popular, vejo cenas grotescas pelas ruas. Concluí que certas pessoas (muitas por sinal), sentem-se invisíveis quando falam ao celular. É como se todo o mundo exterior fosse excluído enquanto a orelha está plugada no aparelho. Cansei de ver gente "discutindo relação" na fila do banco, falando mal de outrem no supermercado...Claro que eu tenho meu aparelhinho. Mas quase ninguém sabe meu numero. Detesto ser pega na rua com uma chamada no celular, ou parar o que estou fazendo para atender, ou, pior ainda, deixar um interlocutor a ver navios enquanto eu atendo uma chamada. Acho isso uó! Maior falta de respeito! Quando fazem comigo fico possessa. Já cheguei a falar para a gerente do meu banco que eu iria para casa ligar pra ela, uma vez que ela passava o tempo todo atendendo a telefonemas.
Ás vezes (só de vez em quando) tenho saudades do tempo em que a gente podia sair por aí sem lenço, documento e celular. Mas aí eu lembro o quanto o danado é precioso nas horas em que a gente precisa dele. E sinto pena daqueles que viraram escravos do aparelho. Não é o meu caso. Sou apenas simpatizante.

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 15:19:14